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Terça-feira, 07 de setembro de 2010 | Atualizado em 30/07/2010 às 15:51h
 
 
 
 
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Milho no Monjolo – 584 (Odilon Muncinelli – Membro da ALVI) | 26 Jan 2010
Por Odilon Muncineli
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UMA PARTE DA HISTÓRIA 1 – “Sobraçada pelo rio, circundada de serras, feita de madeira, com janelões para a rua. As primeiras casas foram cobertas de palha ou tabuinhas, mas o velho Guaraú fabricou telhas, passando de sapateiro a oleiro. Das longas estradas a principal era a Estratégica, que ligava a Palmas. / Entreposto de comércio – diziam orgulhosos os moradores. / Antes da guerra de pica-paus e maragatos só se atravessava o rio pela balsa, e as mercadorias desciam em lanchas e canoas. Os cargueiros ainda podiam ser alvos de ataque dos botocudos. O coronel Amazonas, prefeito durante trinta anos, comprou vapores que estiveram nas mãos dos maragatos. Ele apoiava Gumercindo Saraiva, e todo o mundo ainda falava nos fuzilamentos e degolamentos. A ponte de ferro foi inaugurada em novembro de 1906. À casa do coronel Amazonas chegara o primeiro piano e lá se reuniam as mocinhas, candidatas do concurso de beleza do semanário Missões”.
* * *
UMA PARTE DA HISTÓRIA 2 – “Nos bares, no fórum, na farmácia, na residência de coronéis, formavam-se as rodas de papo e chimarrão. Falava-se em João Maria, preço de gado, madeira e erva-mate, nos vapores Cruzeiro, Tupi e Brasil, na fábrica de cerveja Rio Branco, nas enchentes e, principalmente, na disputa entre Paraná e Santa Catarina. Fora fundada a Junta Governativa do Estado das Missões, com os coronéis Amazonas e Cleve, além de representantes de Palmas, Clevelândia e Rio Negro. (...). O entusiasmo de ser capital tomou conta do lugar”. (...)
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UMA PARTE DA HISTÓRIA 3 – “O povo ansiava por novas de guerra. Havia descontentamento por causa da política de terras dos governos. As prefeituras da região faziam doações de lotes aos imigrantes e aos apadrinhados políticos. Os camponeses tinham esperança em José Maria, falavam sobre os despejos, relembravam os motins na estrada de ferro, descambavam o pau na república dos coronéis. (...). A notícia de que José Maria estava no Irani alvoroçou a cidade. O comércio fechou, as aulas foram suspensas e se realizou uma festa cívica no teatrinho Palácio, a banda tocando dobrados. Curitiba também se alarmou com o anúncio de que bandidos barrigas-verdes haviam invadido o Estado. O Presidente chamou a palácio o oficial João Gualberto para expulsa-los. / No desembarque, o céu saudou a tropa com uma procela. E houve música, discurseira e vivório na Estação”. (...).
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UMA PARTE DA HISTÓRIA 4 – “De manhã, o regimento formou de fronte à igrejinha, o povo aglomerado. Frei Silvério abençoou as armas e, a pedido, a banda militar bisou o dobrado Partida de Mato Grosso. O desfile ficou na história da Rua 15 de Novembro. Atrás, os pelotões guarnecendo as carroças, junto à metralhadora de carreta: as cordas. / Começou a marcha”. (Trechos da crônica “Porto União da Vitória e A Batalha do Irani”, de Noel Nascimento, Revista da Academia Paranaense de Letras n.º 40, 1999, páginas 107/109).
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A ÚLTIMA – “O tempo nada esconde, é falador. Fala até quando nada se pergunta”. (Eurípedes).

Beira do Iguaçu, Janeiro de 2.010

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