Cecil Philip Taylor foi um grande dramaturgo do século XX.
Nasceu em Glasgow, chegou ao Newcastle upon Tyne, a cidade onde sua mãe havia crescido, em 1955, e viveu em 30 Lindale Road, Fenham, por muitos anos.
Taylor deixou a escola aos 14 anos e trabalhou em vários empregos estranhos antes de mover-se em jornalismo, e depois para dramaturgia. Suas peças tendem a chamar pelo seu fundo judaico e sua marxista (ou pelo menos Socialista) ponto de vista, e para ser escrito em dialeto.
Sua obra mais bem sucedida foi, provavelmente, Good (1981), em que um liberal alemão professor Halder cuja covardia moral e a corrupção sutil leva ao seu envolvimento com a máquina de guerra nazista e Auschwitz, no mundo do Terceiro Reich (o título é, obviamente, irónico : Halder sempre ver-se como um "homem bom", mesmo quando ele é atraído mais e mais para pesadelo de Hitler).
A peça Good primeiramente foi encenada pela Royal Shakespeare Company no Warehouse, em setembro de 1981, quando Alan Howard ganhou o Evening Standard Award eo Plays and Players Melhor Ator prêmios por sua atuação como Halder
O drama Um Homem Bom (Good, 2008), consegue não cair na armadilha das adaptações teatrais e realmente parecer um filme, o que conta a seu favor. O diretor Vicente Amorim trabalha novamente com o elemento musical, mas de maneira diferente de Caminho das Nuvens. Quando John Halder, o homem bom do título, é submetido a situações de estresse, seu cérebro dá tilt e ele vê as pessoas cantando como em um musical até que alguém ou alguma coisa o faça voltar à realidade. Essas cenas de escapismo têm um papel quase lírico. Se parecem despropositadas no começo, mostram-se essenciais no final, a única forma de fechar a trama.
John Halder (Mortensen) é um homem bom e decente que tem uma família problemática. A esposa é neurótica, os filhos são exigentes e uma mãe doente. Professor de literatura, Halder explora as circunstâncias de sua vida pessoal num romance no qual defende a eutanásia. Quando o livro é subitamente inscrito numa lista de apoio à propaganda do governo nazista, Halder vê sua carreira ascender numa corrente de nacionalismo e prosperidade. Mas é a partir disso que as escolhas de Halder causarão efeitos devastadores.
A certa altura da história, uma das alunas de Halder questiona, diante de uma passeata do partido nazista cheia de civis entusiastas, se "algo que deixa as pessoas tão felizes pode ser ruim". Essa é a questão central de Um Homem Bom e, também, a chave para entender a chegada de Hitler ao poder - regime que Hadler apostava, no começo do filme, muito antes da Segunda Guerra, que "não fosse durar".
Uma obra de mestre, uma verdadeira lição que nos mostra que para todas as nossas escolhas temos conseqüências, e que nossos princípios devem sempre estar acima de tudo.
Prof Ana Paula Such é professora de Literatura Portuguesa da FAFIUV