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Pinus ou Eucaliptos | 19 Jan 2010
Por Roberto Pedro Bom
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Cada vez que observamos qualquer alteração de saúde corremos na farmácia e pedimos um remédio para o que se esta sentindo. O atendente sugere tal medicamento e você adquire sem se perguntar “POR QUE”.
Na área florestal se observa a mesma situação. Em nossa região, houve um direcionamento para a plantação de eucaliptos, em detrimento ao plantio de pinus.
Dentro das 480 a 500 espécies originais de eucaliptos e mais 250 híbridos desenvolvidos (não se está considerando as clonagens), vão se plantando aquela espécie que “alguém falou” que é boa para a região.
Mal se sabe para que sirva a espécie plantada, se bem que sempre servirá para a produção de lenha ou carvão. Para um uso mais nobre vão se esperar muitos anos para descobrir.
É, não buscam o médico. Só quanto há uma piora da situação.
E o interessante é que nós, como técnicos ainda escutamos algumas preleções de “entendidos” sugerindo conhecerem a situação.
Uma noite dessas, em um restaurante, na mesa vizinha houve uma dessas ocasiões em que um “entendido” dava uma aula para o acompanhante de mesa. E o pior, acaba convencendo o ouvinte que sua opinião é sustentável.
O assunto eucalipto costuma despertar paixões nos seus defensores e opositores. O problema é o fato de muitos confundirem as coisas, e aí começa a polêmica. A plantação de eucaliptos produz madeira e principalmente, celulose.
Mas, então, por que houve uma troca de espécie nas plantações da região?
Basicamente porque se acredita que o eucalipto cresce mais rápido e em maior quantidade dê volume, se comparado ao pinus.
Em parte é verdade.
Só que se considerados os plantios sem terem sido definidos os objetivos é provável que os resultados financeiros venham ser menores do que o plantio de pinus, em nossa região.
Sendo espécies diferentes, uma é conífera e outra é folhosa, possuem madeira de características bem diferentes. Mas só para lembrar: se estiver pensando em serrar o eucalipto, irá ter que esperar seu crescimento até os seus 18 a 20 anos para obter um resultado de produtividade tora/madeira serrada que possibilitem um ganho adequado. E ainda vai depender da espécie de eucalipto plantada.
O eucalipto no Brasil foi adaptado, principalmente, à produção de celulose e papel e ao carvão que abastece as siderúrgicas. As indústrias brasileiras que usam o eucalipto como matéria prima para a produção de papel, celulose e demais derivados representam 4% do Produto Interno Bruto, 8% das exportações e geram aproximadamente 150 mil empregos.
Em nossa região não existe nenhuma área de celulose de fibra curta e nenhuma siderúrgica que venha consumir a madeira de eucaliptos. Para madeira serrada e para a laminação, não se conhecessem os resultados. A madeira de eucaliptos que esta sendo utilizada pela indústria local é produzida em outra região e não é da mesma espécie que se está plantando por aqui.
Bem, e quanto ao pinus?
Essa já é bem conhecida tanto quanto ao seu crescimento e sua produção e produtividade.
 Mesmo que alguns “menos informados” ainda costumam continuar plantando o tal de “pinos eliotis” (Pinus elliottii) por que foram acostumados com o som e não com os resultados. Hoje, o plantio é basicamente dirigido à espécie de Pinus taeda.
Todos podem plantar pinus e eucalipto, desde que não precise de retorno financeiro imediato. Para carvoarias, cerâmicas, secadoras de grãos, madeireiras e outras muitas indústrias, além do produtor rural e outros investidores como os profissionais liberais são os grandes interessados no filão de mercado. “É, na verdade, uma poupança rentabilidade variada, mas dentro do mercado financeiro, considerada de média a alta. Possui certa segurança e boa liquidez”. Ao plantar, imagine ou direcione, com antecedência, para qual finalidade de consumo em função da espécie a ser plantada, tanto do pinus, como do eucalipto. O sistema é de certa maneira, muito complexo.
Enfim, procure seu médico antes de tomar o remédio.


ROBERTO PEDRO BOM
Eng. Florestal, Dr., M.Sc.
Professor do Curso de
Engenharia Industrial da Madeira

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