“AMBOS MENTEM, VENCEDOR E VENCIDO” – “Confrontando com esse panteão místico que contamina do início ao fim, ambos trágicos, a submersa, mal conhecida, quando não ignorada pelos historiadores, Guerra do Contestado (1912-1916), violento conflito armado sobre posse e usurpação de terra que ensangüentou o Centro-Oeste de SC, que o ex-agrimensor (testemunha de relatos dos sobreviventes que transformou em livro) Euclides Felippe, ele próprio cultor das ciências ocultas, perguntou, olhinhos azuis de 90 anos: “O senhor é espírita?”. / Surpreso, tive tempo de responder sem titubear: “Sou cineasta”. Ele sorriu, mas logo confidenciou: “Há mais de 40 anos, no nosso centro espírita, aqui em Curitibanos, uma mulher foi “tomada” pelo espírito do Adeodato, o líder dos caboclos revoltosos. Foram precisos quatro homens para dominá-la, pois ela, com uma espada imaginária, pôs-se a agredir as pessoas, soltando frases desconexas, mas que nos remetiam ao evento”. E concluiu: “Impossível remontar e freqüentar personagens e acontecimentos do Contestado sem recorrer às forças do invisível”. / Lembrei do poeta Friedrich Novalis (1772-1801), cuja sentença “todo visível adere ao invisível” já havia me inspirado em “A Guerra dos Pelados”. (...). “Nessa ânsia de chegar ao âmago da invisibilidade do Contestado, foi surpreendente sentir como ela vem atracada ao real como uma segunda pele, a que está fora dos livros, dos relatos oficiais, da memória viciada tanto pelo que disseminou o vencedor quanto pelo que escapou da crônica do vencido. Aliás, trata-se de um incontornável truísmo, mais uma vez comprovado: ambos mentem, vencedor e vencido, ...”. (Fonte: Trechos do excelente artigo intitulado “Sylvio Bach revisita o Contestado”, de autoria do próprio, no Jornal A Notícia, Anexo/Idéias, do dia 03/01/2010, páginas 01 e 03).
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RESENHA – Lendo alguns exemplares da Face Em Revista (números 1/2, 3, 4 e 9) e agora da Univu Em Revista (ns. 10 e 11) encontrei uma porção de importantes artigos e ensaios a respeito da nossa História Local e Regional. Dentre eles: 1. “Colonização Alemã em Porto Vitória”, da professora Célia Marlene Kampmann Ramos. 2. “A Sociedade União Agrícola-Instrutiva”, da professora Amélia Teresa Zabendzala Giraldi. 3. “Associação Atlética Iguaçu: Do Sonho à Realidade”, da professora Marlene Goulart Jakubiw. 4. “O Poder de Um Coronel”, de Amadeu de Paula e Souza. 5. “Proposta de Reforma, Tombamento e Reutilização da Antiga Prefeitura Municipal de União da Vitória”, das professoras Maria Eloísa Kunrath e Sandra Aparecida de Paula e Souza. 6. “Cronologia do Patrimônio Histórico-Arquitetônico de União da Vitória: Décadas de 1920 e 1930”, das professoras Maria Eloísa Kunrath e Sandra Aparecida de Paula e Souza. 7. “A Importância do Parque São João Maria no Resgate Histórico-Cultural de Porto União, SC”, da professora Marivanda Bortoloso Pigatto. 8. “Primeira Igreja Ucraíno-Católica do Brasil”, do jornalista Sidnei Muran, membro da Academia de Cultura Precursora da Expressão. Anotação: Não fiz a leitura dos números 5 a 8, inclusive, porque não disponho deles.
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A ÚLTIMA – “O céu não está em cima, ou em baixo ou à direita; está no centro do peito do homem de fé”. (Salvador Dali).
Beira do Iguaçu, Janeiro de 2.010