Estamos iniciando a temporada de Crismas nas 25 paróquias e quase quatrocentas Comunidades da Diocese. Aos jovens que recebem o Sacramento da Crisma, ao dar-lhes um tapinha no rosto, testando-lhes a coragem de ser cristãos, o bispo perguntará se estão prontos para ser novos apóstolos de Jesus. Deverão ser em torno de 2600 jovens e adolescentes a responder que sim. Depois de cinco anos de catequese, de leituras bíblicas, celebrações dominicais passando pelos ensinamentos evangélicos de cada época do ciclo litúrgico, os crismandos terão amadurecido o seu desejo de viver como cristãos pelo restante de suas vidas. Certo? Não, nem tanto.
Terminado este período da catequese eucarística, a continuidade desse caminho ainda dependerá, em grande parte, de como encontrarão em suas famílias o eco desses ensinamentos. Dependerão do testemunho e da vivência cristã do mundo adulto para continuar vivendo os valores ensinados pela igreja. E, conhecendo como andam as famílias, não dá pra se iludir: uma boa parte perderá todo o investimento feito nesses anos de aprendizado.
Não terão nem mesmo o socorro da Escola, que em tempos de ensino laico, não têm permissão estatal para o ensino de religião. A Escola passa-lhes uma idéia de “cultura religiosa” que relativiza todas as tradições como se fossem meros traços culturais de um passado obscuro e anacrônico.
Ainda ouço pais e mães que comentam: “os jovens de hoje são difíceis de educar...” A professora se arrepia diante de relatos que, dentro ou fora de suas salas de aula, dão mostra de que as famílias de seus queridos alunos não compartilham com os valores que ela lhes passa.
A competição dos valores cristãos comparando com os do mundo é desigual. Basta observar, como exemplo, o tempo de preparação para o Natal. As igrejas pedem às famílias que invistam a soma de R$ 1,00 (um real) para adquirir o livrinho da novena, para preparar o nascimento de Jesus, enquanto as lojas gastam alguns milhões em enfeites, luzes, papais noéis que dançam e cantam em inglês ou pegam as criancinhas no colo. Estive esta semana em um shopping de São Paulo e fiquei assombrado: já está transformado num feérico parque de diversões natalinas, para atrair consumidores para levar o estoque de “presentes” que não deverão ficar nas prateleiras. E nós católicos pedindo um investimento de “um real”...
Para não terminar a página com esse travo de pessimismo e desilusão, parecendo o fim do mundo, volto aos meus pequenos e bravos jovens crismandos que, depois do tapinha o rosto, vão me dizer “sim, eu quero ser apóstolo de Cristo”. A eles eu digo: primeira tarefa de apóstolos, deverá ser a de catequizar seus pais, padrinhos, vizinhos, o mundo adulto que já esqueceu, faz tempo, as lições do tempo da catequese. Se forem bem sucedidos nessa tarefa, acordando neles a necessidade de todos serem discípulos-missionários, essa parcela de cristãos levará para as gerações futuras os valores pelos quais Cristo, e muitos outros mártires, deram a própria vida.
Dom João Bosco
Bispo de União da Vitória
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