Paciente suspeito na região com sintomas do vírus da nova gripe aguarda o parecer clínico
O exame foi encaminhado para o Rio de Janeiro. O monitoramento é feito pelo Hospital Regional de União da Vitória
*por Ana Cabral e Wannessa Stenzel
O mínimo de contato pode ser uma ameaça para a saúde. O assunto que voltou para a pauta dos principais noticiários nacionais é a Influenza A (H1N1). Os números de casos no mundo aumentam a cada dia. No Brasil não é diferente e é comum que informações desencontradas apareçam. Os comentários a respeito de pessoas com suspeita da doença chegou em União da Vitória, Porto União e região e se propagam tão rápido como ocorre a contaminação com o vírus.
No início desta semana chegou até a reportagem que uma pessoa estaria isolada na Sociedade Beneficente São Camilo Hospital Regional de Caridade Nossa Senhora Aparecida de União da Vitória com suspeita de contrair a Influenza A. Para checar as informações conversamos com a coordenadora do Controle de Infecção do Hospital Regional de União da Vitória, Rosangela Terezinha Tereski.
A coordenadora explicou que como precaução todos os funcionários do Hospital receberam um treinamento que integra o Plano de Contingência para o Enfrentamento a Influenza A (H1N1). A orientação veio da capital do Estado e durante o processo de formulação do Plano foi realizada uma reunião com a parte administrativa e também a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).
O Plano Estabelece ações de biossegurança por meio de um conjunto de medidas voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde da população. Ainda compete para o CCIH estabelecer fluxos, definir produtos, métodos e técnicas de rotinas, realizar treinamentos, monitorar e supervisionar ações e gerenciar riscos. O monitoramento clínico do paciente é diário até o décimo dia do início dos sintomas.
Suspeita 1
Rosangela explica que em maio um paciente do sexo masculino, morador de um dos nove municípios que pertence a microrregião atendida pelo hospital foi internado com suspeita do H1N1. O paciente foi isolado a partir do momento que chegou ao hospital e apresentou os sintomas. Em seguida os profissionais coletaram a secreção do paciente para ser feito o exame. O material foi enviado pela 6ª Regional de Saúde (6ª RS) para o Laboratório Central (Lacen) em Curitiba e em seguida encaminhado para o laboratório Fiocruz no Rio de Janeiro. O exame constatou que o paciente estava com a gripe sazonal (gripe comum).
Suspeita 2
Já na sexta-feira, 26, o hospital recebeu mais uma pessoa apresentando os sintomas do H1N1. O paciente desta vez é do sexo feminino e teve contato com pacientes uruguaios. Como estabelece o procedimento a mulher também foi isolada em quarto especial e realizado os exames. O resultado deve sair nos próximos dias.
Paraná
Dois novos casos de Influenza A (H1N1) foram confirmados no Paraná na terça-feira, 30. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), um dos pacientes é da região de Umuarama, no Noroeste do estado, e o outro de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Em todo estado já são 23 casos confirmados da nova gripe.
Do total de casos confirmados, 13 estão localizados na região de Curitiba. Ponta Grossa contabiliza três casos e Foz do Iguaçu, na região Oeste, dois. Os outros pacientes são de Toledo, Pato Branco, Apucarana, Londrina e Umuarama. Das 23 pessoas infectadas pela gripe H1N1 no estado, 14 estiveram na Argentina.
Na região
Há casos suspeitos também no município vizinho de São João do Triunfo. De acordo com o secretário de saúde do município, Geraldo Alves, um morador do sexo masculino apresentou os sintomas. O paciente foi isolado e também realizado o exame. Na tarde de terça-feira, 30, o paciente foi liberado por já ter passado o período transmissível do vírus. Até que saia o resultado dos exames, o paciente mantém os cuidados usando máscara.
O secretário lembra também que todas as pessoas que tiveram contato com o suspeito foram monitoradas. Até o fim do período transmissível o ônibus de transporte coletivo escolar para o município de União da Vitória estava suspenso. O transporte voltou ao normal ontem, 1°.
Ainda, há três casos suspeitos do vírus H1N1 no município catarinense de Caçador. Um dos casos suspeitos é de uma professora que viajou para o Chile e apresentou os sintomas. A professora está em monitoramento.
No Brasil
Até o fechamento desta edição, o número de casos da gripe H1N1 no Brasil subiu para 680 com a confirmação de 55 novos infectados, segundo o Ministério da Saúde. Todos os Estados brasileiros confirmaram casos da nova doença. Há 673 casos considerados suspeitos no Brasil e outros 933 foram descartados, de acordo com nota do ministério.
Mutação Genética
De acordo com o gastroenterologista, Carlos Eduardo Ferrari, a Influenza A se trata de uma doença respiratória que começou em criadores de porcos. É um vírus gripal do tipo que pode se propagar rapidamente. “O vírus sofreu uma mutação onde ultrapassou a barreira da raça suína atingindo os seres humanos.”
Sintomas
Os sintomas são como uma gripe comum. Febre repentina superior a 39 graus, tosse, dores musculares e nas articulações, dores de cabeça, no corpo, falta de apetite, vômito, diarréia e corisa.
Como o vírus se espalha
O vírus se espalha através de gotículas pela fala a um metro de distância e tosse e espirro em até seis metros do paciente infectado. Também por meio do contato das mãos e superfícies contaminadas.
Gripe Suína
A Organização Mundial de Saúde (OMS) mudou o nome da gripe suína para gripe A H1N1. O nome foi trocado porque o vírus é cada vez mais humano e cada vez tem menos a ver com o animal. A OMS afirmou repetidas vezes que a doença não pode ser contraída ao se comer carne de porco assada, mas o nome da gripe levou vários países a decretarem proibições a importação de carne de porco do México e dos Estados Unidos, onde a epidemia apareceu.
As amigas Maria Luiza Almeida e Ivone da Maya não têm medo de consumir a carne de porco com o risco de contrair o H1N1. Elas se informam constantemente a respeito da doença e consideram difícil que o vírus surja em União da Vitória.
O Dr. Ferrari orienta que a gripe de origem suína no México não se transmite pela carne, mas por via aérea, de pessoa para pessoa. Existe também influência com a temperatura de cozimento (71º Celsius) que destrói os vírus e as bactérias. “A comunidade deve estar atenta para não comer a carne crua, mas cozida não há risco”.